domingo, outubro 12, 2003

O parque dos quatro elementos - De Thelma e Louise para privilégio dos caminhos , ao longo da avenida, origem do amor e escrita solta .
Escolham o vosso elemento...


Divido em quatro áreas, o parque dos quatro elementos desaparece do solo em quatro gigantescos degraus:

O primeiro quadrado, “Ar”, consiste em vários pavilhões situados abaixo do nível da superfície cobertos de elaboradas redes de tubos que emitem diversas misturas de gases destinadas a criar experiências aromáticas alucinógenias.

Por meio de subtis variações de dosagem e talvez mesmo de cor, essas nuvens voláteis e perfumadas podem ser modificadas ou sustidas como instrumentos musicais. Estados de espirito como hilariedade, depressão, generosidade e receptividade podem ser evocados invisivelmente em sequências e ritmos programados ou improvisados. Jactos de ar verticais asseguram a protecção ambiental por cima dos pavilhões.


Idêntico ao primeiro quadrado quanto ao tamanho mas a um nível inferior, encontra-se o “Deserto”, uma reconstituição de uma paisagem egípcia simulando as suas condições estonteantes: uma pirâmide, um pequeno oásis, e o orgão de fogo – uma estrutura em aço com inúmeras saídas para chamas de intensidade, cor e calor diferentes. É tocado de noite a fim de criar um espectáculo pirotécnico visível de todos os pontos da alameda, um sol nocturno.

No fundo de quatro grutas lineares, máquinas de fazer miragens projectam imagens de ideais desejáveis. As pessoas que estão no Deserto entram nos tubos que correm para essas imagens beatificadas, mas nunca se estabelece um verdadeiro contacto: correm sobre um tapete rolante que se desloca na direcção oposta, a uma velocidade que aumenta à medida que a distância entre miragem e pessoa diminui.
As energias e os desejos frustados terão que ser canalizadas para actividades sublimadas (o segredo de que a pirâmide não contém uma câmara do tesouro será guardado eternamente).


A uma profundidade ainda maior está “Água”, um lago cuja superfície é permanentemente agitada através de movimentos regulares, produzindo ondas por vezes de proporções gigantescas.
Este lago é o domínio de algumas pessoas que procuram o prazer e ficam completamente viciadas no desafio das ondas.
Dia e noite, os sons deste mar interior, servem de pano de fundo acústico às actividades da Alameda.


O quarto quadrado, no fundo, “Terra”, é ocupado por uma montanha vagamente familiar, cujo cume se encontra exactamente ao nível da superfície da Alameda.
No topo, um grupo de escultores debatem de quem será o busto a escavar na rocha, mas no ambiente acelerado desta prisão, ninguém é importante e o tempo não é suficiente para que eles possam chegar a uma conclusão. As paredes desta cavidade recordam a história passada desta localidade como uma cicatriz: parte de uma agora deserta linha de metropolitano está suspensa neste vazio. Na parte inferior das outras paredes são escavadas grutas – habitações e cavernas – pontos de encontro para acomodar certos mistérios primordiais.

Depois de o visitante circular pelos quatro quadrados, uma escada rolante devolve-o à superfície.


Rem Koolhaas – Fundação Serralves

O nosso fim de semana




continua...

quinta-feira, outubro 09, 2003

Relações

Calculando o Coeficiente de Correlação , estatisticamente, provo que o aumento da população na Dinamarca faz aumentar o nº de cegonhas. But! às vezes, nem o determinístico o É.

Se a população aumenta, o sector imobliliário cresce, e em cada "casinha" nasce uma chaminé com condições excelentes para o ninho das cegonhas. Logo, a relação está entre as chaminés e as cegonhas.

Mesmo que matematicamente se consiga provar as relações Causa-Efeito, hehehehehehee, muito cuidado, mesmo assim podemos perder o controlo.......

O melhor sal vem do fundo do poço

No meio da Serra dos Candeeiros, há um poço por onde sai água sete vezes mais salgada que a do mar, sendo considerada a melhor salgema do Mundo.

O sal, por movimentos naturais e desconexos das placas tectónicas foi arrastado do mar para aquele lugar fundo e sombrio, o que o tornou ainda mais denso. Mas, por coincidência ou não, eis que uma nascente de água permite que aquela salgema regresse à superficie e adoçe os melhores pratos.

terça-feira, outubro 07, 2003

Serotonina

Louise:- Tenho-te sentido em baixo, Serotonina.

Serotonina:- Falta de estímulos. Devias ajudar-me.

Louise:- Sim..mas não sei bem como.

Serotonina:-

________________Dança um Tango comigo.

____________________Canta-me o Stabat Mater do Pergolesi

_________________________________Lê-me a "Arte de Amar" Ovídio

________________________________________________e depois!



Louise:- Depois ?


Serotonina:-Depois volta a sentir medo por ninguém se espantar com a tua solidão

segunda-feira, outubro 06, 2003

Rolo no Activo

Só vim aqui ao blogger, expressar a minha vontade de despentear o Padre Melícias...

De volta ao meu aconchego

A minha irmã escreveu-me um mail dizendo que estava com saudades de casa (home não house diz ela). Estranho, como em Português, lar, soa tão mal.

Pois é minha "goda" faltam apenas duas semanas, para receber aquele abraço gostoso, ver o boris rodopiar, beber uns copos com os amigos no bairro alto, para a confusão dos almoços tal familia italiana, para umas castanhas quentes e boas no Rossio.

Ah e o teu carro é uma gracinha.

Muitos beijinhos.



Insónia - II

De vez em quando a insónia vibra com a nitidez dos sinos, dos critais. E então das duas uma: partem-se ou não se partem as cordas tensas da sua harpa insuportável.

No segundo caso, o homem que não dorme pensa "o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração"

Sobre o lado esquerdo - Carlos Oliveira

Insónia

Sinto o tempo a passar
O silêncio da noite a chegar
Busco imagens que me relaxem
Uma praia
Oiço o som das ondas
Perco peso
Sinto o sangue nas extremidades
Busco uma nuvem azul e voo
Aconchego-me no edredon de penas mas
Sinto o tempo a passar

Aclarar

Até no escuro se bate com a cabeça na verdade

Uma abelha na Chuva - Carlos de Oliveira