domingo, janeiro 04, 2004

Não me chames pequenina

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segunda-feira, dezembro 29, 2003

leio em voz alta....e gosto do que ouço. obrigado tempo dual

prenda de Natal para a louise*

serenidade

vai passar uma eternidade de pó caindo
sobre as coisas sem que um vento se levante

amainará em lume o fogo que antes forçara
o suor no rosto ficando raso como um mar chão de brasas

o olhar não se deterá sobre nada que o não deseje
e será calmo arrastando um silêncio que se diria
religioso

- tenho um sonho de serenidade a cumprir
ali adiante

Cláudia Caetano

Carlos Alberto Machado

o expresso diz assim...finalmente uma revelação o poeta Carlos Alberto Machado já tinha publicado antes, mas surge neste livro com outra dimensão...

A realidade inclinada (Averno) foi um dos livros seleccionados de 2003 por António Guerreiro, aqui vai um pedacinho:

Estive na minha morte e de lá acenei-te lancei-te
confeitos e trateei a tua canção preferida
aquela do zé ninguém que falhou o último gesto
eu sei que foi há muito tempo não te lembras
da próxima vez que estiver na minha morte
em vez de confeitos chovo o meu ódio sobre ti
ou uma tempestade de lágrimas

Cada ser que me consome é todos os seres
em que fui ou em que julguei ser onde
semeei paisagens em campos abertos
nos corpos náufragados da dor e do medo
a cada um emprestei um nome desocupado
e neles me cansei no cansaço de fingir
hoje arrebata-me esta ideia da morte com que elidi tantos corpos por marcar
resta-me apenas um chave para entrar
no labirinto onde possa andar até ao fim
terra das cem promessas! guarda-me
bálsamo para os musculos cansados
um pouco da agua rara do deserto
para limpar os olhos em sangue de traição



ficámos contentes. um grande abraço da Thelma e da Louise