domingo, janeiro 18, 2004

Intíma partilha

(Posso
Podes
São gotas
Gordas
Que caem
Nos meus dias de calor
Em que estendo o rosto para elas
não aches risível
gostar de as sentir na língua)

______________________Talvez a minha mão suada



(Posso
Podes
São gotas
gordas
Que caem
Nos meus dias de frio
Com a boca aberta, língua vermelha, para mitigar a voz)

Talvez não precise de dizer nada_________________________


_______________________Te feche os olhos em movimentos circulares
_______________________porque de sentires sono tens saudades.




Porque me calas com a tua língua fresca ____________________
A repousar.________________________________________________



A mão suada deixa no banco de jardim o livro que a voz grave por gosto lia: “ qual é a minha ou a tua língua”.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

triste velhice num lar de idosos

compartimentos regulares de aspecto corcomido, nos melhores casos, higiénicos, frios, cheios de seres aguardando a sua morte, sem ocupação para além da prostração em frente ao ecran da TV e a comida de 3 em 3 horas. sempre à mesma hora, sempre a mesma rotina. solidão que carece da dignidade do verdadeiro isolamento. e a morte teimosamente suspensa no ar.

visitas? as abelhas zurzem atordoadas e distraídas no labor diário.

sugar o tempo, forçar o presente a desembocar no passado, surge com a única fuga. recorda-se a mãe, os irmãos já idos, ou simples acontecimentos passados como se fossem presentes, actuais.

por mais filhos e amigos que se tenha tido, no fim tornamo-nos uma família tão pequena. e a morte teimosamente suspensa no ar.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

El Silencio

No digas nada, no preguntes nada.
Cuando quieras hablar, quédate mudo:
que un silencio sin fin sea tu escudo
y al mismo tiempo tu perfecta espada.

No llames si la puerta está cerrada,
no llores si el dolor es más agudo,
no cantes si el camino es menos rudo,
no interrogues sino con la mirada.

Y en la calma profunda y transparente
que poco a poco y silenciosamente
inundará tu pecho de este modo,

sentirás el latido enamorado
con que tu corazón recuperado
te irá diciendo todo, todo, todo.

de Francisco luis Bernárdez

Fujiyama

Eu não conheço bem o DSM, mas existe lá a "síndrome do Fujiyama" ?

(vulcão japonês coberto de neve que no seu interior referve de fogo e lava)