domingo, junho 13, 2004

Fernando Pessoa - No dia do seu nascimento

Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura

Ler é sonhar pela mão de outrem.
Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz.


Livro do Desassossego, Bernardo Soares


quinta-feira, junho 10, 2004



capturada na malha de luz, triste descobre que outono era. curvada dormita. quando por fim o indio descer, o calor intenso, que hoje para trás fica, talvez a embale e lhe acorde os dias, sorrindo.














Danaide - Auguste Rodin

o troblogdita
escreve depois de hoje de noite II.
eu gosto muito que ele escreva por aqui.

No fragor de dois corpos as marés sincronizam-se com as ondas. Os sentidos moldam-se às emoções. O refluxo do desejo faz da orla das ondas horizonte descontínuo: desenhos ondulantes onde a espuma morre e se renova - onde os corpos se fundem e concretizam

segunda-feira, junho 07, 2004

hoje de noite II

Moro num búzio, com chão de terracota, tecto de conchas assombradas.
numa noite de maré cheia com um suporte de folhas de palmeira, pusemos uma rede de pescadores onde os nossos corpos repousam.
assustamos quem passa ao verem uns pés matreiros a saírem de um búzio. existem dias de maré cheia de gritos porque um búzio rola pela areia até ao mar.
outros dias há, em que o búzio é observado por um grupo de pessoas incrédulas.
Olho para os meios seios moldados pela tua boca mas são os teus olhos de água que me fazem esquecer a multidão.

Lamberei as paredes doces da memória.


depois de Hoje de manha assim a pressa II. alucinacoes do Wilson
Meus olhos foram mar. Nunca tinha visto um vestido de conchas. E tu poderosamente nua por entre as conhas. Beijei teu peito entredescoberto e corri tua praia com as maos. Estremeci areias. Castelos. Cairam no ar velhos contos de fadas. Danca'mos a mare' ao som de bu'zios assombrados. De cancoes de pescadores ao longe recuperando redes. Tudo foi silenciosamente musical. Sussurrado. Belo. O passaro branco explodiu trazendo outra manha. Outra luz.