sexta-feira, agosto 06, 2004

shu

Organizar o silêncio
dividi-lo em pequenos compassos
escrevê-lo na clave de dó
encantarmo-nos com a nova codificação.
Ouvir a nossa música
as cordas são as sinapses,
calar o fagote
deixando o bater do coração como metrónomo.
Descobrir em que tonalidade estamos
interpretar as nossas notas de adorno e notas auxiliares,
a nossa linha de som.

O timbre do nosso corpo sonoro.

Organizar o silêncio
na pausa de uma semi-breve
em quatro tempos se aprende a saborear.

quarta-feira, agosto 04, 2004

abstracto...concreto


please don't shout
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho,
Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
poema de mário quintana

O meu melhor sonho foi quando acordei e não mais abri os olhos para essa vida ilusória

minhas palavras são invisíveis para um mundo concreto demais
já não reconheço a cor dos móveis,
sei que estão lá porque ainda sinto dor

não vejo minha face neste pálido espelho da vida
o tempo decorre num baloiço de lembranças
estou com demasiada preguiça para cheirar as flores que deixaste
que cheiro a bolor é este, minha gente ?

estou com demasiada preguiça para me lembrar de pôr pó de arroz no rosto
meus sentimentos nada sentem
quero-me pálida neste verão
teu ultimo beijo não beijei
teu olhar nunca me viu
teu corpo nunca esteve com o meu
saudades de um dia que nunca amanheceu

um dia,
um sonho, nunca terá um fim…

texto escrito pela Louise e Wander.

( na nossa primeira conversa foram estas palavras que surgiram. estranho mundo. estranha noite)


terça-feira, agosto 03, 2004

Folhas ao Sol

Enquanto as folhas caem
Minha vida passa lentamente
Meus olhos estáticos, atentos
Assistem ao longa metragem de minha melhor atuação

Enquanto as folhas caem
Deixo as lágrimas que não chorei caírem
Dou meu melhor bom dia para uma boa noite
Saio da minha solidão e fico a esperar ao sol

Enquanto as folhas caem
Caminho sem pressa na minha curta estrada sem fim
O azul do céu me esconde em meio as nuvens cinzas
Minha árvore está altiva e cresce sozinha

Enquanto as folhas caem
Procuro me encontrar perdendo-me
Desejo um desejo imortal
Hoje as folhas ao sol, amanhã...

Wander Luiz Alves Amorim
08-01-2004
(prenda vinda do brasil...obrigada Wander...)

segunda-feira, agosto 02, 2004

Se os olhos de tanto lerem
arranjam desculpas para lacrimejar
e a mão adormece zangada pelo gesto de afecto que reteve
talvez não saibam

que amanhã pela manhã
alguém vai abrir a persiana.

"alguém que deixa espaço entre as palavras para evitar que a última se agarre à próxima que vou escrever ?"

sim.