sábado, março 06, 2004

Nada
(em resposta ao desafio semanal do epiderme)

nudez sem corpos. palavras sem som. lembrança de muito.

sexta-feira, março 05, 2004

Amor Precisa-se

não resisto. que barbaridade este panfleto.

quinta-feira, março 04, 2004

O corpo enquanto arte (I)

O mundo acontece prolonga-se numa sucessão de momentos e nós detemo-los a olhar uma aranha espalmada contra a sua teia.

Sabemos melhor quem somos num dia de intensa claridade, depois de um temporal, quando o sentimento de si trespassa todas as folhas que caem, mesmo as mais pequenas.

O mundo adquire uma existência irreversível e a aranha agarra-se à teia que o vento faz balouçar.

Don Delillo

segunda-feira, março 01, 2004

Pequena Reportagem
Estou de regresso. Tive dificuldades em transferir as imagens durante a minha viagem, por isso só agora aqui as coloco. Estivemos muito bem no sul de Marrocos. Não sentimos o terramoto, nem vimos imagens. Soubemos que foi muito duro e devastador. Infelizmente, fora das grandes cidades do litoral, vive-se mal em Marrocos. País de contrastes. Para nós ficou a lembrança das grandes paisagens, do horizonte a perder de vista ao som de Bach, dos pequenos almoços nos riades ao sol, da comida lentamente saboreada, das cores e agitação das medinas.


Chefchaouen


Fés


Merzouga


Merzouga


Alto Atlas - caminho para Zagora


Vale do Dra - perto de Zagora


Tafraoute


Aldeia perto de Tafraoute


Marraqueche


Marraqueche

domingo, fevereiro 29, 2004

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No fim do dia. deixo a roupa. tenho um chuveiro por cima da minha cabeça. um chuveiro de fios de prata. a chuva de prata gosta de ficar nos meus cabelos, vai descendo, atinge o meu peito, (sorrio porque meia parte de mim está brilhante de prata e da barriga para baixo estou só eu)________depois atinge a minha barriga e o jacto tem que ser forte para perseguir as minhas pernas e chegar aos pés. Esta chuva é fria e adormece a minhas dores, as guinadas de corpo cansado. é bom.

Ouço um Noc Noc de chaves no bolso.

Mudo o chuveiro por cima da minha cabeça. um chuveiro de fios de alma. esta chuva é quente e embrulha o meu corpo num todo (sorrio porque tu vês a luz azul do meu coração).

quentes e agasalhados vamos sair que eu gosto da cidade ao fim do dia.


depois de Gosto da cidade ao fim do dia II do Wilson

Gosto de esquecer que existo e ser feliz de existir nas subtis felicidades que pairam. Nos sorrisos das crianças. No teu olhar tranquilo e doce. Andar descalço à beira-mar procurando algum frio ao entardecer. Quando já não há quase nenhum sol. Quando ao apanhar conchas me esqueci das horas. Do mundo. Quando o único som é o esquecimento da superfície. Quando a melodia é o fundo do mar. Depois procurar o caminho para casa re-existindo-me. Sabendo encontrar-te num jantar calmo. No vinho tinto. Num cigarro que zangada me permites antes de nos entregarmos aos corpos. Ao reconforto das horas únicas.